Orgasmos Múltiplos para Homens

Orgasmos Múltiplos para Homens

É costume (mas é falso) acreditar que o orgasmo masculino é o mesmo quer ele ejacule ou não. Vejamos o que realmente acontece durante este processo.
Se um homem faz amor e chega ao ponto de não-retorno, ele vai atingir um clímax curto e depois vai afundar-se no entorpecimento do abismo pós-ejaculatório. Depois da ejaculação, a maioria dos homens descobre que está no nível mais baixo de excitação sexual e que tem de escalar de volta gradualmente, o que pode demorar muito tempo.
No entanto, a maioria dos homens pensa que o propósito de fazer amor é a ejaculação. O orgasmo ejaculatório pode parecer uma corrida apaixonante, mas depois de se experienciar a beatitude extática e prolongada dos orgasmos múltiplos, esta descarga ejaculatória irá parecer patética e desapontante, incapaz de se manter à altura.

COMO POSSO TER ORGASMOS MÚLTIPLOS?
Tal como no caso de qualquer orgasmo experienciado até agora, iremos primeiro sentir o excitamento a crescer (quer por um estímulo físico, quer por um pensamento, fantasia, etc.). Este estado de excitamento leva normalmente a uma erecção e, se a estimulação começar, podemos experienciar diferentes estágios de excitação, até atingirmos o estágio da “contracção” de um orgasmo.
Este estágio é na verdade uma encruzilhada, uma vez que pode levar tanto à ejaculação como aos orgasmos múltiplos. Durante o estágio da contracção, podemos percepcionar uma série de contracções da próstata, durando cada uma de três a cinco segundos.
Ainda que a intensidade destes orgasmos pélvicos agradáveis varie, e podem ser frequentemente tão intensos como os orgasmos na fase ejaculatória, no início podem ser moderados.
Agora é o momento em que temos de decidir: em vez de continuar, indo para o ponto de não-retorno, seguido inevitavelmente da ejaculação, paramos uns momentos, até controlarmos o nosso excitamento, reduzindo o nosso ritmo respiratório e mantendo uma atitude calma e atenta.
Outro método consiste em contrair o nosso músculo PC à volta da próstata vibrante, até ganharmos algum controlo sobre estes espasmos. Direccionando a energia da área dos genitais para a coluna e para as partes superiores do corpo, eliminaremos a pressão e o impulso de ejacular.
O nível de excitação irá decrescer gradualmente, preparando o caminho para outro orgasmo genital. Tais orgasmos múltiplos irão levar a um nível diferente de excitação, que cresce cada vez mais.
Nota importante: se ansiarmos os orgasmos na fase de contracção, iremos colocar-nos em risco de ejacular. Muitos homens descobriram que têm de parar toda a estimulação mesmo antes de experienciar este tipo de orgasmo.
Muitos homens que praticam continência sexual contam como eles se “retiram” em orgasmos não-ejaculatórios, em vez de se apressarem para ejacular. A ideia é conseguirmo-nos “manter” neste ponto sem chegar ao ponto de não-retorno. Mais, iremos sentir o prazer das contracções do músculo PC, bem como as dos músculos anais.
Cabe a cada homem saber o quão perto ele pode chegar para experienciar os orgasmos múltiplos a partir da fase de contracção. Iremos experienciar ondas de prazer extático, e, se a nossa amante for uma mulher multi-orgásmica, que pratica também continência sexual, estaremos a dirigir-nos para o paraíso, porque iremos ambos experienciar estados de orgasmo prolongados.
Não precisamos mais de nos preocupar com o ter de dar um orgasmo à nossa mulher, e depois de termos nós próprios um orgasmo. Ambos teremos a oportunidade de experienciar ao mesmo tempo estados intensos de prazer e felicidade ao mesmo tempo.
Se estivermos a ter dificuldades em diferenciar orgasmos de ejaculação, podemos começar por direcionar a energia para cima ao longo da coluna, antes de atingir a ejaculação. De acordo com as tradições Tântrica e Taoista, a chave para alcançar um orgasmo de corpo inteiro é sublimar a energia sexual.
Quando conseguimos sublimar esta energia, iremos descobrir com espanto que conseguimos experienciar sensações orgásmicas com outras partes do nosso corpo, que nunca considerámos como orgásmicas.
A contração voluntária do músculo PC é também de grande ajuda no aumento da sensibilidade da zona pélvica, bem como no controlo dos orgasmos na fase de contracção. Se ejacularmos – o que pode acontecer no início da nossa prática – não devemos sentir-nos altamente desapontados, ou frustrados.
No entanto, tais experiências não se devem repetir com frequência. Assim transformamo-las em oportunidades para conhecermos melhor o nosso corpo e os seus mecanismos. Relembramos que a prática requer tempo e intimidade, tanto para nós, como para as nossas amantes.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE ORGASMOS GENITAIS NÃO-EJACULATÓRIOS E ORGASMOS MÚTLIPLOS DE CORPO INTEIRO?
Cada orgasmo genital não-ejaculatório contribui para a sublimação da energia sexual, e assim a pressão sanguínea na zona pélvica irá diminuir.
Alguns orgasmos pélvicos não-ejaculatórios são extremamente energizantes, mas quando conseguimos suportar mais intensidade na nossa “capacidade orgásmica”, iremos querer seguramente estender estes orgasmos pélvicos ao nosso corpo todo, que é o verdadeiro propósito do Tao e do Tantra.
Os orgasmos múltiplos de corpo inteiro começam com os orgasmos pélvicos, na fase de contracção, mas agora, em vez de deixarmos a energia sexual permanecer na zona pélvica, fazêmo-la ascender ao longo da coluna para a região da cabeça e depois estendêmo-la para o corpo todo.
A maioria dos homens nem sequer sonha em atingir estes picos sexuais. Não só experienciam apenas um orgasmo (e ejaculam), como também apenas o experienciam na zona genital.
Usando certas técnicas podemos aprender a experienciar orgasmos múltiplos e a estendê-los da zona pélvica para o corpo todo. É assim que nos podemos colocar em ressonância com o estado conhecido como orgasmo cósmico. E uma vez que experienciamos este estado, nunca mais vamos quer voltar atrás, ao que tínhamos antes.

COMO É QUE SENTIMOS ORGASMOS DE CORPO INTEIRO?
Cada homem que pratica continência sexual experiencia estes picos orgásmicos de diferentes maneiras, de acordo com o seu nível de consciência. Ao nível físico, os homens que experienciam orgasmos de corpo inteiro percepcionam vibrações de calor e de formigueiro ou ainda pulsações do corpo inteiro.
Aqui estão algumas experiências directas de pessoas que experienciaram isto:
“Eu estava mesmo no início da minha prática da continência sexual. Uma noite, enquanto estava a fazer amor, a intensidade do prazer aumentou subitamente, e eu pensei que estava perto de ejacular. Eu abrandei e comecei a respirar profundamente. Enquanto fazia isto, comecei a ficar extremamente relaxado, e comecei a sentir como se toda a minha cabeça estivesse electrificada, como se algumas correntes finas bioluminiscentes estivessem a passar através do meu corpo. Senti um formigueiro na minha coluna até ao pescoço. Depois, senti o formigueiro a ficar mais forte e a direccionar-se para a minha cabeça. Depois, o formigueiro ficou ainda mais forte e alcançou a minha cabeça. Eu mergulhei num estado de euforia e beatitude que não queria que acabasse. Foi um orgasmo longo. Havia vibrações a aparecer e a desaparecer e o meu corpo ressoava como um sino.”
“O meu excitamento sexual cresce mais devagar do que no caso de um orgasmo ejaculatório. É também mais equilibrado e controlado. Enquanto a energia sexual cresce dentro do meu corpo, eu posso fazê-la ascender ao longo da coluna, e estendê-la dentro do meu corpo todo. O propósito não é descarregar o esperma, mas percepcionar esta energia com o meu corpo todo, percepcionar o amor e a ternura e expandirem a minha consciência. Consequentemente, o meu corpo está muito mais relaxado especialmente durante os orgasmos.”
“A percepção de um orgasmo de corpo inteiro é muito mais completa e subtil. O processo inteiro não é como uma pequena explosão, mas sim como uma lenta e intensa implosão. Depois disso, não me sinto vazio, porque este sentimento aparece normalmente depois de uma explosão. No caso de uma implosão, essa coisa continua dentro de nós. Existe um estado profundo de satisfação, em diferentes níveis: físico, emocional e espiritual, e esta satisfação continua durante horas, às vezes até dias.”
No Ocidente aprendemos que orgasmo equivale a ejaculação. No entanto, os Tântricos e os Taoistas perceberam que o orgasmo é constituído por uma pulsação e uma contracção, e por isso, pode ser percepcionado em todo o nosso corpo.

ORGASMOS DISCRETOS E CONTÍNUOS
É importante sublinhar o facto de que os orgasmos de corpo inteiro são tão intensos que por vezes é difícil dizer quando acaba um ou começa outro.
As ondas de prazer tornam qualquer tentativa de “contar” completamente inútil. Os tântricos provaram que tanto os homens como as mulheres são capazes de experienciar orgasmos discretos (separados) e orgasmos contínuos, sem a descarga da energia sexual potencial.
Os orgasmos discretos múltiplos implicam um pico orgásmico, seguido de uma pequena descida da intensidade do sentimento, seguido imediatamente de outro orgasmo discreto.
Os orgasmos múltiplos contínuos implicam que cheguemos a um pico orgásmico, que pode aumentar em intensidade ou não, mas que iremos na mesma percepcionar o estado orgásmico durante todo o tempo, independentemente das flutuações em intensidade.
Além disso, estes orgasmos discretos e contínuos podem ser combinados, oferecendo um número incontável de combinações de picos orgásmicos. As possibilidades são infinitas. Estas estados que estamos aqui a discutir são um mundo à parte dos orgasmos de seis segundos que a maioria dos homens está habituada.

SEXUALIDADE E ESPIRITUALIDADE
Podemos ainda chegar ao nível em que percepcionamos a nossa energia a fluir pelo corpo da nossa amada, e a sua energia sexual a fluir pelo nosso corpo. Finalmente, podemos também percepcionar que aquilo que nos delimita a nós como “nós” e ela como “ela” desaparece.
Alguns homens experienciam um sentimento de união com a sua amada, outros com o Universo inteiro. Através da prática de continência sexual, iremos aprender como viver esta experiência espiritual uma e outra vez.
Além disso, este tipo de comunhão espiritual com a nossa amada ou com o Universo pode determinar uma transformação ao nível da nossa consciência. Por isso, no Oriente a sexualidade é considerada parte do caminho espiritual e não oposta a ele.

CONTROLO DA RESPIRAÇÃO
De forma a controlar a nossa energia sexual e de praticar continência sexual, temos de respirar da forma mais profunda e relaxada que conseguirmos. Todas as artes marciais e lições de yoga indicam que a respiração é a chave necessária para controlar o corpo.
A respiração é geralmente um acto involuntário, mas também pode ser um acto consciente. Por outras palavras, normalmente respiramos sem pensar sobre isso e também sem mudar o ritmo natural da nossa respiração. Se fizéssemos isso, se tornássemos a nossa respiração mais profunda, poderíamos influenciar o nosso ritmo cardíaco.
Por exemplo, depois de corrermos, nós respiramos de forma rápida e superficial, e consequentemente o nosso ritmo cardíaco atinge níveis altos. Se respirarmos devagar, o ritmo cardíaco diminui.
No que diz respeito a fazer amor, um ritmo cardíaco elevado normalmente indica que nos aproximamos da ejaculação. A conclusão vem naturalmente: o primeiro passo no controlo da ejaculação é o controlo da respiração.
RESPIRAÇÃO ABDOMINAL

A maioria de nós respira superficialmente, normalmente ao nível do tórax e das clavículas (respiração clavicular), um facto que leva a uma má oxigenação dos pulmões.
Por exemplo, recém-nascidos respiram abdominalmente. Se observarmos um bebé a dormir, iremos notar que a sua barriga se move com cada respiração. A respiração abdominal enche os nossos pulmões de ar, e permite-nos substituir o ar residual, estagnado dentro dos nosso pulmões, por ar fresco.
Esta é a forma mais saudável de respirar, mas a maioria de nós perde esta capacidade devido a stress e ansiedade. A nossa forma de respirar está limitada à parte superior do peito, e por isso diz-se que respiramos apenas ao nível do tórax e das clavículas.
Quando estamos felizes e rimos, respiramos abdominalmente. O exercício seguinte irá mostrar-nos como respirar abdominalmente, como fazíamos quando éramos jovens.
Quando praticamos as técnicas sugeridas aqui, é necessário que inspiremos pelo nariz, uma vez que o ar é filtrado e aquecido na passagem pelo nariz. Relembramos que quando inspiramos pela boca, inalamos ar frio e não filtrado.

TÉCNICA
1. Sentamo-nos numa cadeira, com a coluna direita, pés no chão e cabeça para cima.

2. Pomos as nossas mãos na zona do umbigo e relaxamos os ombros.

3. Inspiramos pelo nariz e sentimos a parte inferior do abdómen a dilatar com o ar, de tal forma que o umbigo é empurrado para fora. O diafragma desce.

4. Relaxamos o peito enquanto expiramos voluntariamente pela boca, da tal forma que a parte inferior do nosso abdómen é puxada para dentro, como se quiséssemos puxar o umbigo em direcção à coluna. Iremos também sentir o nosso pénis e testículos a serem puxados para dentro.

5. Repetimos os passos 3 e 4, 21 vezes.
Alguns minutos de respiração abdominal por dia irão ensinar o nosso corpo a respirar novamente de forma profunda, de uma forma natural, até mesmo durante o sono. Enquanto fazemos amor, esta capacidade é essencial de forma a prevenir a ejaculação e expandir as sensações eróticas pelo corpo todo.

Quando não ejacularmos mais, é importante continuarmos com estes exercícios de respiração, uma vez que irão ajudar-nos a circular a energia sexual pelo nosso corpo e a sublimá-la em energia volitiva, afectuosa, mental e espiritual.
A respiração abdominal massaja os órgãos internos e a próstata, e alivia a sensação de pressão que a maioria dos homens experiencia pela primeira vez quando não ejacula.
Esta sensação de pressão, de tensão na zona genital, que aparece em todos os principiantes na prática de continência sexual, é causada pela estagnação de energia sexual na zona pélvica. Se a energia não for sublimada, irá levar a estados de irritabilidade e confusão.
Assim, queremos deixar claro que a mera transmutação da energia sexual potencial (a transformação do esperma em energia sexual, ou por outras palavras a retenção do esperma dentro do corpo e a sua transformação noutras substâncias) não é suficiente para experienciar orgasmos múltiplos de corpo inteiro.
Este é apenas o primeiro passo. O passo seguinte é a sublimação desta energia sexual, ou por outras palavras o fluxo real desta energia pelo canal subtil correspondente à coluna de forma ascendente (podemos até ter percepções fora do normal ao longo da coluna durante este processo.
Por isso, a respiração abdominal é uma técnica extremamente importante, porque põe em movimento a energia sexual e guia-a ao longo da coluna, resultando na sua sublimação da área genital e na supressão dos estados de irritabilidade e confusão mencionados acima.
Outro método para controlar este fluxo de energia sexual é a prática de posturas de Hatha Yoga, que também tem o efeito de eliminar “nodos” energéticos e facilitar a circulação de energia pelo corpo todo.

RISO ABDOMINAL
Se tivermos problemas com a respiração abdominal (como muitos ocidentais têm) podemos praticar também riso abdominal.
O que é o riso abdominal? Este é o tipo de riso que faz vibrar o nosso abdómen. É um riso genuíno partilhado com os nossos amigos próximos. É o riso que nos faz dizer que o nosso estômago dói de tanto rir. Esta dor é devido ao facto de não usarmos estes músculos com frequência.

TÉCNICA
Sentamo-nos confortavelmente numa cadeira, coluna direita e pés no chão. Colocamos as nossas mãos no abdómen, e lembramo-nos de todos os momentos mais engraçados da nossa vida. Quando o riso começar, deixamo-lo espalhar-se pelo corpo todo, até sentirmos o nosso estômago a vibrar.
Este tipo de riso é extremamente útil, uma vez que relaxa o diafragma, faz-nos respirar abdominalmente e gera uma grande quantidade de energia, que poderemos usar mais tarde.

– fonte: http://www.tantrafestival.dk

2018-09-20T17:41:30+00:00