Passos para Formar o Casal Espiritual

Passos para Formar o Casal Espiritual

Este artigo apresenta conselhos práticos sobre como abordar a nossa relação de casal de forma a que ela cresça harmoniosamente e floresça, levando-nos, nós e os nossos amantes, a estados extáticos de comunhão de alma.

Um elemento importante para um bom início de uma relação de casal espiritual é o princípio da evolução contínua dentro da relação de casal. No Tantra diz-se que os amantes devem permanecer sempre no estado do início. Diz-se: “Se alguém quer vencer o tempo, deve permanecer sempre no estado do início”.

Numa relação de casal isto é muito importante. Muitas pessoas perguntam-se como permanecer no estado do início, porque o tempo passa. Mas o Tantra também oferece a solução: Abrimo-nos à transformação contínua.

Quando estamos completamente abertos à transformação, estamos constantemente no estado do início. Quando paramos ou quando tendemos a evitar este fluxo contínuo de transformação, saímos automaticamente do estado do início, por outras palavras, a onda ou o fluxo tira-nos do estado. Por isso, quando queremos que a nossa relação se mantenha fresca, no estado do início, temos de nos preparar – e isto é uma responsabilidade individual de cada um dos dois amantes – para a transformação. Temos de estar prontos em cada momento para transformar. Como a própria relação muda, ela transforma.

Se olharmos para a nossa relação como se fosse uma criança, percebemos que não podemos virar-nos para uma criança e dizer-lhe: “Vá lá, agora estamos ocupados, não temos tempo para ti. Pára de crescer, nós vamos continuar com as nossas vidas e daqui a dois anos voltamos, para ver se ainda continuas a crescer.” Não pode ser assim. Uma vez que ela nasce, a criança cresce, desenvolve-se, tem as suas necessidades, não podemos dizer-lhe: “Sabes que mais, estamos de férias durante as próximas duas semanas, por isso pára de comer.” Uma relação de casal precisa de amor. Não podemos dizer: “Pronto, agora paramos, porque eu tenho outras prioridades na vida, tenho uma carreira e tenho outras coisas para fazer.” Isto não existe, a relação morre.

Por isso, no momento em que quisermos manter esta frescura do amor entre nós, temos de estar sempre prontos para transformar. É a abertura à transformação que temos de ter desde o início. Se ao menos considerarmos isto, iremos notar facilmente que assim que ficarmos presos ou tentarmos opor resistência à transformação, a relação começa a morrer, a intensidade diminui, torna-se complicada, a simplicidade extraordinária do início, quando tudo era natural, simples, fluente, perde-se. Se nesses momentos nos lembrarmos destas palavras, podemos abrir-nos imediatamente ao processo de transformação e o problema fica resolvido. O aspecto seguinte é muito interessante. Se for integrada harmoniosamente e nos mantivermos no estado do início através da abertura à própria transformação, uma relação de casal leva-nos à evolução. Por outras palavras, a relação espiritualiza-nos, ela evolui. Assim, o nosso trabalho é o de nos abrirmos a esta espontaneidade de transformação numa relação de amor e o resto vem de Deus através desse amor. Quando evoluímos dentro do casal, é muito importante que a responsabilidade da evolução espiritual seja partilhada pelos dois amantes. Lembrem-se, a relação é a criança pequena. A responsabilidade para a transformação é dos dois amantes. Porque se existir estagnação, isto acontece dentro de um de nós ou dos dois amantes. Não podemos dizer: “Olha, a relação está a estagnar. Temos uma aspiração e uma transfiguração tão fortes, mas a relação esmoreceu”. Isso não existe. É ao contrário. Ou um dos amantes fica preso ou os dois e então, automaticamente, a relação reflecte isso. Numa relação de casal, a relação é um espelho, mas a responsabilidade do que esse espelho reflecte pertence-nos a nós. É como se os dois amantes fossem em frente ao espelho e dissessem: “Este espelho é estúpido. Olha o feio que ele reflecte.” Reflecte o que está à nossa frente.

Aqui estão alguns exercícios para praticar:
Exercício prático – uma vez que estes estados de confusão não se manifestam ao mesmo tempo ou quando confrontados com as mesmas realidades, tentem criar este hábito benéfico dentro das vossas relações: párem, de vez em quando, a onda de acções e eventos que fazem juntos e apercebam-se que vocês se amam porque vocês se amam e porque existe este estado de graça incrível e manifestação do amor divino e por mais nenhuma razão deste mundo.

Outro exercício – quando se aperceberem que certos elementos começam a entrar sorrateiramente e a pesar os ombros frágeis da relação de amor, simplesmente removam esses elementos, porque ninguém morre sem eles, mas sem amor irmos morrer definitivamente. Por exemplo, se notarem que têm uma tendência materialista e que se sentem felizes e realizados quando estão bem materialisticamente, quando estão de férias, onde têm tudo o que precisam. Se notarem que esta tendência tende a misturar-se com o amor, mantenham-nos separadas. Simplesmente não vão para essas férias dessa forma. Ou se tiverem a tendência de criar associações entre o amor e hábitos, afastem-se desses hábitos por uns tempos, até notarem que eles não influenciam o estado de amor.

Exercício para visualizar a relação – vejam a relação como um filho vosso, como se a relação fosse uma criança recém nascida, nascida no momento em que começou a relação de casal e que cresce gradualmente.  Quando esta criança cresce, ela precisa da nossa atenção e cuidado, precisa de ser nutrida, mas a criança é diferente dos pais. Temos a tendência de ver a relação como o outro, mas a relação está algures no meio, é algo diferente de mim ou dela, é uma síntese gloriosa das nossas almas. É por isso que não podemos dizer que é idêntica a mim ou a ela, é a soma de nós. Temos de ter cuidado e com o tempo temos de aprender a distinguir entre a relação e o outro. Porque se não compreendermos isso, tendemos a ignorar muitas das acções que a relação precisa.

É como se a criança estivesse a chorar e mãe fosse alimentar o pai. Mas a criança continua a chorar, porque ela tem fome. Então, o pai também alimenta a mãe e depois eles perguntam-se: “Ei! Alguém continua a chorar aqui. Não tiveste já o suficiente?” Mas é a criança que grita. Isto significa que por vezes a própria relação precisa de certas acções nossas em conjunto. Temos os dois de fazer algo, não pode ser só um ou o outro. Da mesma forma que uma criança em crescimento precisa de dois pais e cada pai desempenha o seu papel a criar a criança, assim temos de dar a nossa contribuição específica para essa relação. É por isso que se diz que os dois amantes não são amantes por se amarem um ao outro; eles amam juntos as mesmas coisas, é assim que as suas almas se unem. E amando coisas cada vez mais elevadas, eles amam Deus e desta forma estão unidos juntos em Deus. Metaforicamente falando, a posição dos dois amantes não é olharem-se nos olhos, mas olharem juntos na mesma direcção.

Para sublinhar esta ideia, um dia um grande sábio foi questionado sobre o segredo da felicidade em casal e o que faz o amor durar uma vida inteira. A sua resposta foi: “Amem juntos as mesmas coisas.”

– fonte: http://www.tantrafestival.dk

2018-09-20T18:07:15+00:00